A Importância da regionalização das soluções em Cloud Computing

Série reflexões: O que já vi e ainda vejo pelo Norte e Nordeste do nosso Brasil.

Estamos em 2018 e Cloud Computing já é algo bem conhecido por todas as empresas e profissionais, correto? Bem…. Não é bem assim.

As soluções em TI são mais facilmente adotadas nas regiões Sul, Sudeste e até mesmo no Centro-Oeste do nosso país, independem se for empresa privada (indústria, comércio, serviço, etc), governo (federal, estadual ou municipal) ou entidades e órgãos. Será que uma solução em Cloud Computing implementada na cidade de São Paulo, funcionará (entenda funcionará com as etapas, arquitetar, implementar, operacionalizar e monitorar) da mesma forma que em outra capital e interior dos estados das regiões Norte ou Nordeste do Brasil?

Antes de entrar em mais detalhes sobre essa questão, devemos compreender que o Brasil possui uma distribuição demográfica bastante característica e, ao observarmos essa distribuição, entenderemos melhor a dimensão do desafio que é a importância da regionalização das soluções.

Voltemos um pouco com as aulas de geografia; de acordo com o site do IBGE, durante o censo de 2010, temos 5565 municípios distribuídos em 26 estados e 1 distrito federal, e as duas regiões (Norte e Nordeste) juntas somam 16 estados totalizando 2243 municípios com uma população de 68.946.404 milhões de habitantes.

Fonte: http://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=264529

E o que esses dados nos dizem?

Devemos saber; essas unidades (governo, privado e economia mista) revelam velocidades e requisitos bem distintos na adoção de soluções em Cloud Computing. E, nas regiões em questão, isso se torna mais complexo ainda devido a um recurso primordial da área de Tecnologia da Informação, que é a Internet, ou seja, Infraestrutura de Telecomunicações. Se vamos utilizar algum serviço de Cloud Computing temos que reavaliar a estratégia de utilização da Internet. Entenda reavaliar a estratégia, e não somente aumentar a velocidade dos links, mas ir além e identificar características de uso do destino, origem, horários, demandas entre outros pontos.

De acordo com o site TELECO, desde 2012, 100% dos municípios de todos os estados das regiões N e NE são atendidos por estrutura de banda larga fixa e/ou móvel (sendo GSM, 3G ou 4G). Porém, ainda não iremos fazer menção à polêmica que envolve a qualidade do serviço.

Fonte: http://www.teleco.com.br/cobertura.asp

Afinal qual a dificuldade em adotar uma solução de Cloud Computing já que o requisito Infraestrutura de Telecomunicações foi resolvido?

A problemática toda encontra-se na arquitetura das soluções propostas, é fácil notar a ausência de intimidade com as necessidades de negócio, porém não estou falando dos objetivos estratégicos e governamentais dessas unidades, e sim dos objetivos reais dos serviços fins sustentados por essas infraestruturas.

Cenário comum:

Uma estrutura composta de uma matriz e algumas filiais espalhadas por todo o estado, possui a maioria das pessoas alocadas na matriz e o restante nas unidades remotas, é um cenário bem comum em nossa área de TI, essa mesma estrutura seria elegível à adoção de soluções em Cloud Computing facilmente, correto? Bem…. Prefiro dizer que devemos levar em conta alguns aspectos mais reais quanto a nossa região, vou pontuar alguns:

  • Unidades itinerantes como carros do tipo vans e caminhões são facilmente materializados em nossas mentes, mas você já imaginou um barco, balsa, acampamentos na floresta, bicicletas, aviões, carroças puxadas por búfalos, etc como unidades de atendimento?
  • Uma torre que por ser tão alta assíntota o céu como a ATTO – Amazon Tall Tower Observatory com seus 325 metros de altura, cercada pela floresta Amazônica, já passou por sua imaginação? Ficou curioso, leia mais no artigo da EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
  • Uma floresta tropical tão grande que mesmo sobrevoando de avião passaríamos horas e horas e só veríamos floresta e mais floresta, um verdadeiro mar de floresta.
  • A proximidade com a linha do equador nos oferece uma maior participação “VIP” no evento que afeta nossas telecomunicações baseadas em satélites e antenas de alto alcance, esse evento se chama Solstício de verão, veja como funciona esse evento no site Clima Tempo, garanto que você vai se surpreender com os efeitos.
  • Rios que mais parecem grandes oceanos que de tão grandes sequer conseguimos ver sua margem, enquanto para navega-los geralmente levamos seis, doze, vinte e quatro horas ou mais navegando para chegar na cidade vizinha. Já imaginou em um projeto de 600 KM de cabos subfluvial, veja esse projeto Amazônia Conectada no site Telesintese.
  • Quanto ao fuso horário devemos ter mais atenção, pois sabemos que os sistemas de Tecnologia da Informação são baseados em sincronização de horas, os serviços só funcionam se estiverem com a data e hora sincronizadas. Atualmente temos 3 fusos horários: -2 horas, -3 horas e – 4 horas referente a Greenwich. É válido ressaltar que temos os horários de verão, que a depender da sua região pode acrescentar ou diminuir em uma hora ou até mesmo permanecer sem mudanças. Mais informações no site Hora de Brasília.
  • O famoso cenário de DE/PARA, esse sim é muito comum em projetos de nuvem, pois acredita-se que ao se realizar uma comparação direta já se terá projeto de Cloud Computing, um DeskSERVER (Desktops transformados em servidores) ou configurações básicas de quantidade de memória, disco, placa de rede, processadores, etc tratam-se apenas de reforço, isto é, somente as informações iniciais em um projeto de nuvem.
  • A qualidade de dados gerados ou coletados pelas aplicações corporativas, já imaginou quantos dados e informações temos duplicadas nas empresas? Agora, você como um consultor sagas e atualizado já deve ter pensado; – isso eu resolvo fácil com tecnologia de armazenamento que tenha deduplicação embarcada. Bem…Se voltássemos alguns passos antes, e focássemos na criação/surgimento dos dados, nos depararíamos com um cenário do filme de 1984 chamado Gremilins, no qual bastava jogar água que os monstrinhos se multiplicavam. E talvez, possamos ter uma visão maior e bem mais detalhada do processo, podemos identificar que essas multiplicações dos dados possam ser evitadas em etapas bem anteriores.

Esses pontos são importantes, mas na maioria dos casos encontramos aspectos comuns para qualquer empresa ou órgão de qualquer região do Brasil ou do mundo.

A melhor arquitetura não é aquela que tem todos os itens de configuração mais avançado em Cloud Computing. A Cloud Computing é para todos, mas nem todos irão adotar na mesma velocidade que desejamos ou que julgamos essenciais, por isso como “consultores” em nuvem devemos ter o senso crítico e focar na regra que sempre funciona em todos os cenários: seja simples, prático e objetivo.

Tá na nuvem 🙂

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